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Quando o médico vira “paciente por um dia”

O dia começou bem. Acordei bem disposto, peguei um leve engarrafamento ao levar meu filho para a escola e já sentia o calor que no decorrer do dia só tendia a aumentar. Cheguei ao hospital para as cirurgias da manhã e como tudo correu muito bem, deu tempo para almoçar calmamente e às 13h00min já estava no consultório, iniciando assim uma jornada sem atrasos Tive a certeza de que naquele dia  tudo iria  correr dentro do programado. Dia perfeito até aqui, agenda cheia e nenhum paciente de última hora, exceto eu mesmo, que me tornaria o paciente de ultima hora de outro médico!

Relação-Médico-PacienteTudo começou com um desconforto no peito que a principio não valorizei. Já havia atendido três dos  15 pacientes programados para aquela tarde de 3ª feira. Meia hora depois comecei a ficar preocupado, pois a dor não passava e meu foco deixou de ser o paciente na minha frente e passou a ser a auto avaliação daquilo que eu estava sentindo. Será um infarto? Pensei eu, e logo me respondi: claro que não! Ainda estou novo, não fumo, pratico esportes, e fui justificando para mim mesmo que deveria ser apenas um desconforto passageiro. Porém, repetidamente me vinha à lembrança, pacientes que sentindo a mesma coisa, acabaram por não fazerem um diagnostico precoce e viraram estatística de insucesso no tratamento do infarto agudo do miocárdio, ou seja, pagaram caro por esse descuido. Liguei para minha secretária que ao saber que havia cinco pacientes na sala de espera, lhe pedi que ligasse aos demais e os transferisse para outro dia.

Em seguida liguei para alguns amigos cardiologistas e por sorte consegui falar com um deles, que aqui vou chamar de “Dr. Marcos,” e agendei uma consulta para o final da tarde, após atender os pacientes que já estavam esperando.

Notei nitidamente a piora na qualidade de meu atendimento e a insatisfação de alguns clientes que perceberam a minha objetividade nas consultas e a falta daquelas amenidades que sempre usamos no inicio de uma consulta, como falar do tempo ou das notícias do dia. Um dos pacientes inclusive, ao final da consulta sequer pegou a receita e saiu murmurando algo que certamente não foi um elogio.

Peguei o carro e no caminho meus pensamentos foram tomados por possibilidades perturbadoras, onde eu me imaginava desfalecendo no transito sem ninguém do lado para ajudar, ou sendo repreendido pelas pessoas dizendo que eu havia demorado muito a procurar ajuda. Lembrei também de um amigo da mesma idade que infartou na porta do Hospital e mesmo sendo socorrido a tempo , não resistiu e faleceu , deixando dois filhos adolescentes.

Enfim cheguei são e salvo ao consultório. Aguardei alguns instantes que parecia uma eternidade, mas logo em seguida fui chamado pelo Dr. Marcos em pessoa como gesto de amizade e atenção a um colega de profissão.  Como sempre muito educado e atencioso, enquanto se preparava para me examinar, perguntou sobre a família, os filhos e sobre o trabalho. Também, como médico consciente e politizado expressou sua indignação com a má qualidade do sistema de saúde no Brasil, tudo isso, como o objetivo de me deixar à vontade e diminuir a ansiedade. Enquanto isso, eu pensava: Será que ele vai demorar a fazer o eletrocardiograma?  Será que vai dar algum problema? E se der? Ele vai me falar de forma direta ou vai tentar amenizar para não me deixar ainda mais tenso?

Nessa hora, pensei que se eu não fosse médico e amigo, certamente essa duvida não existiria e ele falaria de forma clara, qualquer que fosse o diagnóstico, pois essa é a prática atual da maioria dos médicos, ou seja, não escondem nada do paciente!

Durante a realização do exame físico e do ECG, fui me acalmando, entrando na conversa e fiquei mais tranquilo. Deixei-o conduzir normalmente a consulta e mesmo ele conversando sobre outros assuntos, não me permiti iniciar nenhuma outra conversa, pois estava ciente de que tudo fazia parte de uma técnica individualizada de atendimento que os médicos mais experientes dominam com perfeição e cujo objetivo e conduzir o paciente a um estado emocional adequado para aquele momento.

Em seguida me pediu para deitar na maca onde fez a ausculta cardíaca, aferiu a pressão arterial e após fazer o Eletrocardiograma me tranquilizou dizendo que estava tudo bem.

Saí dali tranquilo, porem pensativo. Dei-me conta que durante a consulta, o Dr. Marcos foi extremamente profissional e não deixou o lado amigo ser maior que o lado médico!  O fato é que ser amigo dele poderia ter sido um fator negativo naquele momento, caso ele não tivesse experiência e habilidade suficiente para não dividir o foco de sua atenção e deixar o lado médico falar mais alto.

Após essa experiência, passei a mudar minha forma de atendimento, separando alguns minutos para deixar o paciente se acomodar emocionalmente na minha presença e só em seguida inicio a consulta propriamente dita. Dou foco total nas queixas objetivas dos pacientes e faço com que ele perceba o quanto  estou atento às suas queixas  , mesmo que o diagnostico já esteja claro desde os primeiros instantes da consulta.

Dou também um conselho ao leitor: Quando for ao consultório médico, mesmo estando debilitado, mostre-se satisfeito por estar na presença de alguém em quem você confia , crie esse ambiente de confiança e em seguida  não tente impressiona-lo  com comentários diversos como: vi no Google, tenho um parente médico  , já me tratei com o Doutor “Celebridade” ou sou advogado, deputado… Etc.. Seja apenas o “paciente”, evite interações desnecessárias que possam desviar o raciocínio de seu médico. Dessa forma, mesmo com poucas palavras, ele estará focado no seu problema e certamente fará muito mais por você. Concorda?

O dia começou bem. Acordei bem disposto, peguei um leve engarrafamento ao levar meu filho para a escola e já sentia o calor que no decorrer do dia só tendia a aumentar. Cheguei ao hospital para as cirurgias da manhã e como tudo correu muito bem, deu tempo para almoçar calmamente e às 13h00min já estava no consultório, iniciando assim uma jornada sem atrasos Tive a certeza de que naquele dia  tudo iria  correr dentro do programado. Dia perfeito até aqui, agenda cheia e nenhum paciente de última hora, exceto eu mesmo, que me tornaria o paciente de ultima hora de outro médico!

Tudo começou com um desconforto no peito que a principio não valorizei. Já havia atendido três dos  15 pacientes programados para aquela tarde de 3ª feira. Meia hora depois comecei a ficar preocupado, pois a dor não passava e meu foco deixou de ser o paciente na minha frente e passou a ser a auto avaliação daquilo que eu estava sentindo. Será um infarto? Pensei eu, e logo me respondi: claro que não! Ainda estou novo, não fumo, pratico esportes, e fui justificando para mim mesmo que deveria ser apenas um desconforto passageiro. Porém, repetidamente me vinha à lembrança, pacientes que sentindo a mesma coisa, acabaram por não fazerem um diagnostico precoce e viraram estatística de insucesso no tratamento do infarto agudo do miocárdio, ou seja, pagaram caro por esse descuido. Liguei para minha secretária que ao saber que havia cinco pacientes na sala de espera, lhe pedi que ligasse aos demais e os transferisse para outro dia.

Em seguida liguei para alguns amigos cardiologistas e por sorte consegui falar com um deles, que aqui vou chamar de “Dr. Marcos,” e agendei uma consulta para o final da tarde, após atender os pacientes que já estavam esperando.

Notei nitidamente a piora na qualidade de meu atendimento e a insatisfação de alguns clientes que perceberam a minha objetividade nas consultas e a falta daquelas amenidades que sempre usamos no inicio de uma consulta, como falar do tempo ou das notícias do dia. Um dos pacientes inclusive, ao final da consulta sequer pegou a receita e saiu murmurando algo que certamente não foi um elogio.

Peguei o carro e no caminho meus pensamentos foram tomados por possibilidades perturbadoras, onde eu me imaginava desfalecendo no transito sem ninguém do lado para ajudar, ou sendo repreendido pelas pessoas dizendo que eu havia demorado muito a procurar ajuda. Lembrei também de um amigo da mesma idade que infartou na porta do Hospital e mesmo sendo socorrido a tempo , não resistiu e faleceu , deixando dois filhos adolescentes.

Enfim cheguei são e salvo ao consultório. Aguardei alguns instantes que parecia uma eternidade, mas logo em seguida fui chamado pelo Dr. Marcos em pessoa como gesto de amizade e atenção a um colega de profissão.  Como sempre muito educado e atencioso, enquanto se preparava para me examinar, perguntou sobre a família, os filhos e sobre o trabalho. Também, como médico consciente e politizado expressou sua indignação com a má qualidade do sistema de saúde no Brasil, tudo isso, como o objetivo de me deixar à vontade e diminuir a ansiedade. Enquanto isso, eu pensava: Será que ele vai demorar a fazer o eletrocardiograma?  Será que vai dar algum problema? E se der? Ele vai me falar de forma direta ou vai tentar amenizar para não me deixar ainda mais tenso?

Nessa hora, pensei que se eu não fosse médico e amigo, certamente essa duvida não existiria e ele falaria de forma clara, qualquer que fosse o diagnóstico, pois essa é a prática atual da maioria dos médicos, ou seja, não escondem nada do paciente!

Durante a realização do exame físico e do ECG, fui me acalmando, entrando na conversa e fiquei mais tranquilo. Deixei-o conduzir normalmente a consulta e mesmo ele conversando sobre outros assuntos, não me permiti iniciar nenhuma outra conversa, pois estava ciente de que tudo fazia parte de uma técnica individualizada de atendimento que os médicos mais experientes dominam com perfeição e cujo objetivo e conduzir o paciente a um estado emocional adequado para aquele momento.

Em seguida me pediu para deitar na maca onde fez a ausculta cardíaca, aferiu a pressão arterial e após fazer o Eletrocardiograma me tranquilizou dizendo que estava tudo bem.

Saí dali tranquilo, porem pensativo. Dei-me conta que durante a consulta, o Dr. Marcos foi extremamente profissional e não deixou o lado amigo ser maior que o lado médico!  O fato é que ser amigo dele poderia ter sido um fator negativo naquele momento, caso ele não tivesse experiência e habilidade suficiente para não dividir o foco de sua atenção e deixar o lado médico falar mais alto.

Após essa experiência, passei a mudar minha forma de atendimento, separando alguns minutos para deixar o paciente se acomodar emocionalmente na minha presença e só em seguida inicio a consulta propriamente dita. Dou foco total nas queixas objetivas dos pacientes e faço com que ele perceba o quanto  estou atento às suas queixas  , mesmo que o diagnostico já esteja claro desde os primeiros instantes da consulta.

Dou também um conselho ao leitor: Quando for ao consultório médico, mesmo estando debilitado, mostre-se satisfeito por estar na presença de alguém em quem você confia , crie esse ambiente de confiança e em seguida  não tente impressiona-lo  com comentários diversos como: vi no Google, tenho um parente médico  , já me tratei com o Doutor “Celebridade” ou sou advogado, deputado… Etc.. Seja apenas o “paciente”, evite interações desnecessárias que possam desviar o raciocínio de seu médico. Dessa forma, mesmo com poucas palavras, ele estará focado no seu problema e certamente fará muito mais por você. Concorda?

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